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ASSOCIAÇÃO
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Depoimentos
Marinilde Carvalho Barbosa Ribeiro Santa Inês-MA
Meu
nome é Marinilde Carvalho Barbosa Ribeiro, tenho 39 anos, sou
funcionária pública municipal, moro em Santa Inês, Maranhão. Sou
de uma família simples do interior. Minha mãe teve cinco filhos:
dois homens e três mulheres. No ano de 1971, ela ficou viúva, pois
meu pai foi vítima de um acidente fatal, eu tinha quatro anos de
idade e minha mãe estava grávida de seis meses.
Descobri
que sou portadora do gene de Porfiria Aguda Intermitente (PAI) em
1993, depois de perder duas irmãs, que foram vítimas dessa doença. No
ano de 1992, no mês de março, minha irmã, que se chamava Paula e
tinha 29 anos de idade, foi hospitalizada com problemas intestinais.
Nem eu, nem minha mãe sabíamos que ela estava internada porque o
esposo dela não nos avisou. Depois de um mês, quando soubemos, fui
buscá-la, mas não foi possível reverter a situação em que se
encontrava, mesmo porque os médicos não sabiam o que causava as
convulsões e a paralisia muscular, achavam que ela era epilética e
deram vários remédios que, com certeza, ela não poderia usar. No
dia 20 de abril de 1992, ela faleceu. Em
1993, minha irmã caçula, que se chamava Maria da Conceição (ou
simplesmente Conceição) e tinha 22 anos de idade, estava em São
Luís acompanhando meu irmão que havia sofrido um acidente de carro
e estava fazendo fisioterapia. Ela foi para o interior passar o
Carnaval, quando lhe apareceu uma infecção nos rins muito forte e
febre de quarenta graus, eu não sabia do que se tratava pois ela não
se abria comigo, não contava dos seus problemas. Ela tinha uma
filha que estava com onze meses, nascida no dia 21 de abril de 1992
(fiz o velório da Paula enquanto Conceição dava entrada na
maternidade). Fui buscá-la no interior e a levei para o hospital,
todos os dias eu estava lá. Ela foi internada num domingo, na
quarta-feira, passei para levar alguma coisa no hospital e como ela
estava bem melhor, fui para o trabalho. Por volta das onze horas, me
abateu uma tristeza muito grande e tive vontade de vê-la, então,
pedi para o meu chefe me liberar porque eu precisava ver minha irmã
com urgência. Quando cheguei ao hospital, a enfermeira falou que o
médico queria conversar comigo. Ao entrar no quarto, encontrei
minha irmã tendo convulsões. Gritei por socorro e o médico
aplicou uma injeção que só piorou a crise, ele falou para eu levá-la
para São Luis, pois ali nada poderia ser feito porque desconheciam
o diagnóstico. Neste
mesmo dia, ela seguiu para a capital, mas só piorava; foi
transferida para o hospital universitário, direto para a UTI, em
coma. Falei com o doutor José Raimundo Araújo Azevedo, que na época
era médico residente da UTI, e ele me perguntou se ela tinha feito
aborto. Eu respondi que não sabia, porque ela estava morando longe
e nada tinha me falado (eu realmente não tinha conhecimento sobre
ela ter feito um aborto escondido em uma clínica clandestina). O médico
disse que tinha mandado fazer o exame de porfobilinogênio em São
Paulo, no laboratório Fleury e que se fosse confirmada a sua
suspeita e se o resultado chegasse logo, poderiam reverter o quadro. Mas,
para a minha tristeza, dor e sofrimento, o exame chegou oito dias
depois e já era tarde demais... ela estava em coma profundo e, no
dia 30 de março de 1993, a minha querida irmã partiu para nunca
mais voltar. Como eu poderia sobreviver sem as minhas irmãs? Quem
ler este depoimento não sabe o tamanho da minha dor em relembrar
tudo o que aconteceu comigo nesses anos de 92 e 93. Minha
dor só não foi maior do que minha fé. Só o amor que tenho por
Jesus Cristo me fez viver até hoje e eu tenho certeza que viverei
apesar da descoberta desta doença. Depois
que perdi a última irmã, o Dr. José Raimundo disse para todas as
mulheres da família fazerem o exame PBG. O meu deu positivo (33,3mg
no volume de 900ml de urina) e o resultado foi encaminhado ao médico
que fez as recomendações - tenho uma lista dos remédios proibidos
para portadores de porfiria e outra lista dos que posso usar. Casei-me
no ano de 1994 e, depois de esperarmos por um ano, comecei a fazer
tratamento para ter filhos. Fiz vários exames, descobri que tinha
um cisto no ovário e uma das trompas obstruída, fiz outros exames
e mais problemas apareceram: tenho hipotireoidismo, colesterol alto
e sou alérgica a vários tipos de remédios, plantas, animais e
etc... Mas,
mesmo com tudo isso, eu sempre soube que Jesus tinha algo especial
para mim, eu sabia que a minha vida não seria só sofrimento, dor,
perda e abstenção. Tomei Jesus como meu único Salvador, só Ele
é capaz de me fazer sorrir de novo e de ter gosto pela vida. Descobri
que eu não podia ser mãe e que, se acontecesse, seria perigoso
para a criança. Então, fiz um pedido: “Senhor, eu sei que não
sou digna de ter meus próprios filhos, Te peço, se for da Tua
vontade, dai-me o direito de adotar uma criança”. Fiz este pedido
dia 28 de julho de 2001 e, quando foi dia 29 de dezembro de 2001, às
22 horas, eu e meu esposo estávamos vendo TV quando o cachorro
latiu no portão. Fomos olhar e lá estava uma criança recém-nascida
dentro de uma caixa. Peguei aquela criança nos meus braços e nessa
hora eu senti que era o meu filho mandado por Deus! Chamei várias
pessoas, vizinhos, para servir de testemunhas no processo de adoção.
Junto à criança tinha uma carta que dizia: “a partir de hoje ele
faz parte de suas vidas e vocês da vida dele”. Fizemos
a adoção pelos trâmites legais. Atualmente, ele tem cinco anos e
é uma criança maravilhosa, é mais do que eu merecia. Jesus dá o
filho certo para cada mãe e ele é minha razão de viver. Hoje,
depois de conhecer a ABRAPO, passei a ter mais informações sobre a
PAI. Graças à Associação tenho mais um leque para tirar as
minhas duvidas. Espero que este depoimento sirva como força e inspiração para que outras pessoas portadoras de porfiria lutem para ter uma qualidade de vida melhor e que um dia possamos ter a cura desta doença em nosso País. Marinilde
Carvalho Barbosa Ribeiro
Santa Inês-MA,
18
de maio de 2007
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Marinilde: "Espero que este depoimento sirva como força e inspiração para que outras pessoas portadoras de porfiria lutem para ter uma qualidade de vida melhor e que um dia possamos ter a cura desta doença em nosso País."
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